Agora, você precisa transformar a sua ideia numa história. Precisa colocar personagens dentro dela. Precisa colocar conflitos entre esses personagens, empurrar esses personagens através de incidentes que vão contando a sua história.
O Flávio de Campos que foi meu professor na oficina de roteiro da Globo, dá muitas dicas ótimas no seu livro Roteiro de Cinema e Televisão, outro livro obrigatório na sua estante… Ele diz assim:
Tomando os exemplos da peça de teatro e do roteiro do filme Pigmaleão, de George Bernard Shaw, você pode começar a imaginar uma história por:
– Um personagem: “Homem culto, rico e elegante se julga capaz de transformar uma garota xucra numa duquesa”;
– Um incidente: “Homem culto, rico e elegante aposta com um amigo que é capaz de transformar uma garota xucra numa duquesa”;
– Uma cena de clímax: “Garota xucra transformada em duquesa causa sensação em festa elegante e, com isso, homem culto, rico e elegante vence uma aposta”
– Um tema: “A transformação de uma garota xucra numa duquesa”;
– Uma premissa: “Excluindo as coisas que qualquer pessoa pode adquirir, como roupas e boas maneiras, a diferença entre uma garota xucra e uma duquesa não está em como ela se comporta, mas em como ela é tratada”;
– E, sim, um fio de história: “Homem culto, rico e elegante aposta com amigo que é capaz de transformar garota xucra em duquesa, transforma a jovem e vence a aposta”.
Bacana, né?
Dicas finais para exercitar sua produção de ideias:
– Trabalhe em grupo. Roteiristas raramente trabalham sozinhos. Forme um grupo de trabalho e pensem juntos em várias possibilidades.
– Você pode fazer um exercício criativo, perguntando o tempo todo “e se?” – e se acontecer isso? E se o personagem reagir dessa forma? E se ele for levado ao engano? E se alguém que ele ama morrer? E se ele descobrir uma doença? De que forma seus personagens se saem diante dessas situações?
– Pesquise muito sobre a sua ideia, leia, busque notícias, acontecimentos, embasamento histórico, científico, jurídico…
– Pesquise histórias parecidas, que tenham o mesmo gênero, personagens ou situações semelhantes…
– Converse com seus amigos e familiares sobre o assunto, entreviste pessoas, colha depoimentos… Tudo isso vai abrindo o seu leque de possibilidades.
Depois, filtre isso tudo, e vá escolhendo o que você curte mais, o jeito mais original de contar essa história, o que deixa você mais feliz com o resultado final, o que deixa as pessoas pra quem você conta mais interessadas.
A IDEIA TEM QUE AFETAR O SEU PÚBLICO!
E aí? Já tem a sua?


