No início da minha carreira eu tinha a maior dificuldade de explicar o que eu fazia. Era comum, assim, a pessoa me perguntava: “Qual a sua profissão?” – e eu respondia: “Roteirista!”, aí ficava aquele silêncio, aquela pausa dramática, a pessoa falava “Ã?”… Eu tentava explicar: “Eu escrevo” – e aí a pessoa me olhava assim de lado, meio com pena: “Ah, tá… Mas, além de escrever, você não trabalha?” E ainda tinha o agravante de “trabalhar em casa”, ou seja, até parece que o roteirista é um belo de um desocupado.
Mas o fato é que todo e qualquer “evento” audiovisual precisa de um roteiro. Na época em que o ser humano contava histórias ao redor da fogueira, esses roteiros eram decorados, eram histórias com começo, meio e fim que se espalhavam através das conversas, de território em território, de geração em geração…
Parece óbvio dizer isso, mas ROTEIRISTAS ESCREVEM ROTEIROS. Esse é o produto final do NOSSO ofício, e como qualquer especialização profissional, precisa de muito estudo, muitas noites em claro, tesão, suor e lágrimas.
Nosso trabalho é essencialmente artístico, mas é fundamental que a gente entenda o processo da produção audiovisual para que nossos roteiros sejam funcionais e possam realmente se transformar em produtos comerciais. Isso inclui entender de custos, prazos, relacionamento com a direção, com os produtores, com os atores e a equipe que escreve junto com você.
O roteirista tem que ler e estudar muito, assistir filmes, seriados, novelas, programas, ouvir música, podcasts, se ligar no que está bombando nas redes… Precisa ouvir pessoas. Bisbilhotar conversas alheias. Precisa enriquecer 24h por dia o seu repertório de ideias criativas.
Participar de editais, encontros, congressos, palestras, premiações, festivais de roteiro, feiras de negócios, se comunicar com outros roteiristas, fazer parte de associações e grupos de roteiro nas redes sociais, isso tudo é muito importante!
E dentro do mercado audiovisual um roteirista pode trabalhar em várias áreas, quer ver só?
– Ele pode ser o Showrunner, que é o autor/ desenvolvedor estratégico da obra, trabalhando na criação, padronização narrativa dos episódios e desenvolvimento de programas em várias áreas. Por exemplo, dramaturgia – escrevendo pro cinema, TV aberta, fechada ou pro streaming, redes sociais, – e aí ele pode escrever telefilme, novela, seriado, infantil, minissérie, games…. Ele pode escrever também pra linha de shows, realities e documentários, pode trabalhar no jornalismo, misturando a ficção com a realidade ou dramatizando acontecimentos reais.
– Ele pode ser colaborador – e aí tem vários tipos de colaboradores de acordo com a especialização e habilidade de cada um, podendo trabalhar em: desenvolvimento de sinopses, escaletas, trilhas de personagens, diálogos, carpintaria de cena, estrutura e capítulos e revisões finais, além da área de pesquisas.
– Pode ser script-producer, que é o roteirista da equipe que conecta o desenvolvimento da obre com a produção, permitindo que tudo flua dentro do orçamento. Esse cargo é muito comum nos writers’ rooms americanos e agora começa a chegar ao Brasil.
Quer conhecer mais nichos de trabalho para os roteiristas? Confere a 2ª parte desse post!


